"Às vezes, somos possuídos por uma sensação de tristeza que não conseguimos controlar. Percebemos que o instante mágico daquele dia passou e nada fizemos. Então, a vida esconde a sua magia e a sua arte. Temos que dar ouvidos à criança que fomos um dia e que ainda existe dentro de nós. Essa criança percebe de instantes mágicos. Podemos sufocar o seu pranto, mas não podemos calar a sua voz. Essa criança que fomos um dia continua presente.(...)Se não nascermos de novo, se não tornarmos a olhar a vida com a inocência e o entusiasmo da infância, viver não terá mais sentido. Existem muitas maneiras de se cometer suicídio: os que tentam matar o corpo, ofendem a lei de Deus; os que tentam matar a alma, também ofendem a lei de Deus, embora o crime seja menos visível aos olhos do Homem. Prestemos atenção ao que nos diz a criança que temos guardada no peito. Não nos envergonhemos por causa dela. Não vamos deixar que ela tenha medo, porque está só e quase nunca é ouvida. Vamos permitir que ela tome um pouco as rédeas da nossa existência. Essa criança sabe que um dia é diferente do outro. Vamos fazer com que ela se sinta amada novamente. Vamos agradar-lhe, mesmo que isso signifique agir de uma maneira a que não estamos habituados, mesmo que isso pareça uma tolice aos olhos dos outros.(...) Se ouvirmos a criança que temos na alma, os nossos olhos voltarão a brilhar. Se não perdermos o contacto com essa criança, não perderemos o contacto com a vida."
